BOA TARDE A TODOS,
HOJE ESTAREMOS FAZENDO UMA LEITURA COMPARTILHADA DO ESTUDO - INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO.
INSTRUMENTOS DE
AVALIAÇÃO
Instrumentos de avaliação é
entendido como: recursos utilizados para coleta e análise de dados no processo
ensino-aprendizagem, visando promover a aprendizagem dos alunos. Segundo Méndez
(2002, p.98), “mais que o instrumento, importa o tipo de conhecimento que põe à
prova, o tipo de perguntas que se formula, o tipo de qualidade (mental ou
prática) que se exige e as respostas que se espera obter conforme o conteúdo
das perguntas ou problemas que são formulados”. Se tomamos a prática de
avaliação como um processo, não é possível conceber e valorizar a adoção de um
único instrumento avaliativo, priorizando uma só oportunidade em que o aluno
revela sua aprendizagem. Oportunizar aos alunos diversas possibilidades de
serem avaliados implica em assegurar a aprendizagem de uma maneira mais
consistente e fidedigna. Implica também em encarar a avaliação, teórica e
praticamente, como um verdadeiro processo.
EXEMPLOS MAIS UTILIZADOS Produções
individuais ou coletivas (Trabalhos)
POSSIBILIDADES E LIMITES - Salinas (2004)
alerta para o problema da avaliação das atividades em grupo, diferenciando o
que seria a situação dos alunos “trabalharem agrupados” de “trabalharem de
forma cooperativa”. O autor destaca que cabe ao professor a habilidade de
propor a cada grupo de alunos um conjunto de atividades que possam ser feitas
pelos diferentes integrantes do grupo em diferentes níveis de complexidade e
que, unidos, dêem como resultado um trabalho que é o resultado de um esforço
compartilhado. - requer definição clara dos critérios para exploração e
pesquisa do tema/conteúdo proposto; é necessária a explicitação das fontes de
consulta; - permite a expressão de compreensões, conceitos e elaborações feitas
pelo próprio aluno; - é possível verificar o atingimento dos objetivos
propostos, bem como o grau de dificuldade sobre o conteúdo; - permite o
acompanhamento das aprendizagens, avanços e dificuldades de cada aluno; exige
tempo maior do professor para organização das atividades propostas; - se não
houver clareza do objetivo da produção, as informações e conceitos apresentados
pelo aluno pode ser aceita na forma como foi apresentada; - é preciso
selecionar cuidadosamente as temáticas para a produção e o aluno deve ter um
conhecimento prévio do assunto.
Seminários POSSIBILIDADES E
LIMITES - objetivos do seminário: investigar um problema; um ou mais temas sob
diferentes perspectivas visando aprofundar a compreensão; analisar criticamente
o tema ou idéias dos autores estudados (não é reprodução); propor alternativas
para resolver as questões levantadas; instaurar o diálogo crítico, estimulando
a produção do conhecimento de forma cooperativa; - equívocos mais comuns em
Seminários (Balzan, 1980): substituição do monólogo do professor pelo do aluno;
extrema divisão do trabalho “em partes”; ausência de interação; deter-se em
superficialidades (algo não problematizante); - papel do Professor: explicitar
objetivos; sugerir temas; assessorar os alunos; recomendar bibliografia mínima
e complementar; discutir critérios avaliativos; orientar alunos na busca de
fontes de consulta; explicitar os critérios de avaliação; formular questões;
preparar o calendário; prever (com a turma) a organização da sala para as datas
do Seminário; - alunos: investigar o (s) tema(s), estudando com profundidade;
desenvolver pesquisas;planejar questões críticas, visando a discussão;
argumentar; contra-argumentar; encaminhar conclusões; participar da avaliação
cooperativa da apresentação dos colegas da turma durante todo o Seminário;
providenciar os materiais necessários e meios de comunicação necessários
(textos e materiais prévios para a turma com antecedência: relatórios, artigos,
monografia, pôsters, folders, etc); definir papéis para o momento da
apresentação; dinamizar a apresentação (o trabalho também deve ser apresentado
por escrito: relatório ou síntese com cópias) - uma das questões mais polêmicas
na avaliação dos Seminários é a atribuição das “notas”, tendo em vista que o
trabalho geralmente é em grupo. Muitos professores optam em valorizar a atuação
de cada aluno individualmente, considerando também o envolvimento cooperativo
no grupo. Há a possibilidade didática de se organizar os critérios avaliativos
do Seminário com a turma (por exemplo: no Seminário serão considerados a
produção do artigo, a apresentação do trabalho em sala no dia marcado, a
pesquisa de campo, a ficha de autoavaliação, etc; e assim os valores são
atribuídos para cada aspecto). O professor avalia todos estes aspectos e
atribui uma nota única (por exemplo, nota 9,0). Multiplica-se a nota 9,0 pelo
número de alunos presentes na equipe (se a equipe era composta por 6 alunos, a
nota será 54). O professor entrega então a sua análise dos critérios observados
para o grupo dividir a nota (54) entre si, ou seja, os próprios alunos irão
discutir, proceder uma auto-avaliação e buscar o senso de fidedignidade (tão
difícil) objetivando atribuir, obviamente, a maior nota para o colega que, de
fato, assim mereça. - uma vantagem do Seminário em relação aos demais
Instrumentos é que o professor pode avaliar o aluno em conjunto com os demais
alunos, de uma forma didática, realizando a avaliação durante a aula, sem
perder tempo com os registros individuais. Porém, o cuidado a ser tomado é no
sentido de “não desvirtuar a prática do Seminário pelo espontaneísmo que às
vezes é praticado pelo professor, ao não interferir nas apresentações“.
Ele deve intervir, assim como o
ambiente instituído em aula deve ser favorável à intervenção dos demais alunos”
(Wachowicz, 2006, p. 136). - de acordo com Scarpato (2004), o seminário traz a
possibilidade de que o aluno realize transformações de ordem conceitual
(coleta, seleção, organização, relação e registro de informações), bem como
tenha transformações de ordem procedimental (fazendo leituras, pesquisa,
expressando-se oralmente) favorece ainda as transformações de ordem atitudinal
( desenvolvimento do sentido de cooperação e auto-confiança).
Provas Segundo Cipriano Luckesi, o sistema de
ensino está interessado nos percentuais de aprovação/reprovação do total dos
educandos; os pais estão desejosos de que seus filhos avancem nas séries de
escolaridade; os professores se utilizam permanentemente dos procedimentos de
avaliação como elementos motivadores dos estudantes, por meio da ameaça; os
estudantes estão sempre na expectativa de virem a ser aprovados ou reprovados
e, para isso, servem-se dos mais variados expedientes. O nosso exercício
pedagógico escolar é atravessado mais por uma pedagogia do exame que por uma
pedagogia do ensino/aprendizagem.
Os professores utilizam as provas
como instrumento de ameaça e tortura prévia dos alunos, protestando ser um
elemento motivador da aprendizagem. Quando o professor sente que seu trabalho
não está surtindo o efeito esperado, anuncia aos seus alunos: “Estudem! Caso
contrário, vocês poderão se dar mal no dia da prova”. Quando observa que os
alunos estão indisciplinados, é comum o uso da expressão: “Fiquem quietos!
Prestem atenção! O dia da prova vem aí e vocês verão o que vai acontecer”. Ou,
então ocorre um terrorismo homeopático. A cada dia o professor vai anunciando
uma pequena ameaça. Por exemplo, em um dia diz: “A prova deste mês está uma
maravilha!”. Passados alguns dias, expressa: “Estou construindo questões bem
difíceis para a prova de vocês”. Após algum tempo,lá vai ele: “As questões da
prova são todas do livro que estamos utilizando, mas são difíceis. Se
preparem!”. E assim por diante... Essas e outras expressões, de quilate
semelhante, são comuns no cotidiano da sala de aula, especialmente na
escolaridade básica e média, e mais tarde na universitária. Elas demonstram o
quanto o professor utiliza-se das provas como um fator negativo de motivação. O
estudante deverá estudar, se dedicar aos estudos não porque os conteúdos sejam
importantes, significativos e prazerosos de serem aprendidos, mas sim porque
estão ameaçados por uma prova. O medo os levará a estudar. É o que acontece
normalmente com a maioria dos alunos. Eles estudam para a prova, simplesmente
com a intenção de passar de série, ao invés de estudarem para aprenderem alguma
coisa, e futuramente poder utilizá-los como conhecimento.
ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE
CORREÇÕES DOS INSTRUMENTOS AVALIATIVOS
Se os alunos cujos trabalhos ou exames você
corrige não aprendem através ou a partir das correções que realiza, vale a pena
revisar o tipo de informação que aquelas correções possuem. Evidentemente, se
as suas correções não só informam, como também se limitam a riscar, a rasurar
ou a simplesmente atribuir uma qualificação, significa que são signos que
mostram que aquele exercício de avaliação não vale a pena. Quem aprende também
precisa aprender com suas correções (Méndez, 2002, p.124). A maioria dos
estudantes universitários, condicionados pela busca da nota, muitas vezes não
se importa pelo retorno do instrumento aplicado, questionando apenas pelo
resultado quantitativo. Muitas vezes, professores dedicam aulas para retomada
do que diagnosticaram através de diferentes instrumentos, mas nem sempre as
repercussões são como o esperado. Por outro lado, não é difícil encontrarmos
professores que se limitam em expor as listagens das notas nos corredores e
salas de aulas, com os resultados finais, sem que tenham sido discutidos com
seus alunos anteriormente, de posse dos instrumentos aplicados. Desta forma, o
instrumento perdeu sua utilidade, pois serviu apenas para constatar, para
verificar, e não para avaliar de fato, pois quando a preocupação é com a
promoção da aprendizagem do aluno, o professor traz os resultados através das
análises das respostas, dos trabalhos desenvolvidos, possíveis erros,
procurando intervir, discutir, e proporcionar feedback com seus alunos. Outro
equívoco, comum na prática pedagógica universitária, é aplicação de provas na
última semana do período letivo (quando na realidade não se terá mais contato
com os alunos). Questiona-se: qual a validade do instrumento, se não haverá
tempo hábil para retorno, para novos encaminhamentos, novas intervenções, para
promoção da aprendizagem? O objetivo pedagógico das provas é intervir, com base
no que se coletou de informações através das respostas obtidas, em favor da
superação das dificuldades de aprendizagens dos alunos. Além disto, através da
análise dos dados obtidos com os diferentes instrumentos avaliativos
pretende-se trabalhar os resultados atingidos, objetivando retroalimentar o
processo pedagógico (feedback). Se tivermos a concepção de que o instrumento
serve tão somente para medir os resultados de um processo, certamente não
teremos nenhuma contribuição para a aprendizagem dos alunos. Por outro lado, se
os instrumentos forem trabalhados como oportunidades de aprendizagem (Masetto,
2001) e, analisados pelos alunos, sendo estudados por eles em parceria com o
professor, certamente tornam-se oportunidades de aprendizagem numa abordagem
formativa. Algumas recomendações para reduzir a subjetividade do professor na
correção das provas (Melchior, 1999): corrigir questão por questão e não prova
por prova; ter clareza em relação aos critérios, com a valoração de cada um dos
itens, para utilizar o mesmo padrão com todos os alunos (utilizar uma chave de
correção); correção anônima das provas (nem sempre é fácil, pois professores
conhecem a letra dos alunos).
“O valor da avaliação não está no instrumento
em si, mas no uso que se faça dele” Juan Manuel Álvarez Méndez, 2002.
Bibliografia Internet: www.uepg.br Luckesi,
Cipriano C. Avaliação da Aprendizagem Escolar: estudos e proposições, ed. São
Paulo: Cortez, 1994 Méndez, J. M. A. Prova: um momento privilegiado de estudo –
não um acerto de contas. Rio de Janeiro: DP&A, 2005.
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